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Passos N.167, Março 2015

FÓRUM MUNDIAL

No meio dos potentes da terra

por Silvia Caironi

O anual fórum econômico na cidade suíça. Em pauta, crescimento e pobreza. Este ano estava lá também Gisela Solymos, gerente geral do Cren, em São Paulo. Para contar de onde partir para ajudar quem está com necessidades

O Fórum Econômico Mundial nasceu como um evento com o objetivo de discutir, conjuntamente, entre as nações, com lideranças de todas as partes do mundo, questões que ultrapassam os limites dos países. Exaltado por uns, criticado por outros, é sem dúvida nenhuma um dos eventos internacionais mais importantes e representativos de nossa época. Constituiu-se como uma organização sem fins lucrativos, que hoje conta com 350 colaboradores, a maioria dos quais baseados na Suíça, os quais promovem pesquisas e subsídios sobre os mais variados temas e organizam mais 6 eventos regionais, além do Fórum de Davos. O evento da Suíça é o que reúne os grandes líderes mundiais e, neste ano, teve 4 pilares ou preocupações centrais que orientaram o Programa: crise e cooperação, crescimento e estabilidade, inovação e indústria, sociedade e segurança.
A representação brasileira era composta por 25 pessoas, das quais 4 jornalistas, 2 young global leaders (uma das quais era uma empresária), vários empresários, os ministros das Finanças, Joaquim Levy, e de assuntos estratégicos, Marcelo Cortêz Nery, e uma única representante dos empreendedores sociais: Gisela Solymos.
Gisela é psicóloga e gerente geral do Centro de Recuperação e Educação Nutricional (Cren), uma organização destinada a combater a desnutrição e a obesidade infanto-juvenil, que é referência nacional no setor. O “link” é o prêmio nacional “Empreendedor Social do Ano”, que ela venceu em 2011 pelo trabalho no Cren. O prêmio foi concedido pela Folha de São Paulo e Fundação Schwab, organização non profit criada em 1998 por Klaus e Hilde Schwab, que opera paralelamente ao Fórum Econômico Mundial, no campo social. No Fórum deste ano, Gisela foi convidada a falar sobre si mesma, e a confrontar- se com outras realidades. Logo após seu retorno do encontro na Suíça, ela nos concedeu a entrevista abaixo.

Qual é o conceito de homem que se respira nesses ambientes? Como é tratada a pessoa enquanto sujeito? Enxerga-se o valor, a dignidade da pessoa? Ou é simplesmente uma peça do grande mecanismo econômico mundial?
Gisela:
É difícil dar uma visão global do evento, que é extremamente complexo! Algumas das grandes preocupações do Fórum que me chamaram a atenção, foram: crescimento e desigualdade social (a desigualdade social não tem diminuído em função do crescimento, então uma das preocupações era: como promover maior igualdade social?); inovação tecnológica usada na saúde, em cura de doenças graves, e os avanços na computação: construção de robôs e desenvolvimento de empatia em computadores como ajuda no tratamento de crianças autistas. Todos os dias foram iniciados com uma sessão de Mindufulness Meditation, das quais eu não consegui participar mas, pelo que entendi, é algo que ajuda a focar a atenção e desenvolver o cérebro. Havia encontros para discutir liderança e como é o melhor modo de liderar. A religião apareceu em alguns encontros, associada a temas como conflitos religiosos e se é possível mudar a natureza humana de modo a podermos “caminhar sob a luz de um altruísmo criativo”. Don Diarmuid Martin, Arcebispo de Dublin, por exemplo, é um convidado do Fórum há muitos anos, e neste ano, ele foi convidado a falar em duas mesas: ‘Mantendo a Fé’ e ‘Dominando as Máquinas’, ambas lotadas.

O Papa sempre fala de “diálogo construtivo”. Esse âmbito é realmente um espaço de diálogo? É ainda possível construir?
Gisela:
Acho que este deseja muito ser um espaço de diálogo na medida em que coloca juntas pessoas tão diferentes e tantos líderes, num espaço tão pequeno e de tão difícil acesso. Aliás, este é o motivo pelo qual esse encontro é feito em Davos, para que as pessoas de fato fiquem lá e interajam. O Fórum Econômico Mundial aposta na construção e está buscando alternativas, meios para fazer isso. É impressionante olhar para o Fórum tendo conhecido o Meeting de Rímini. Em Davos, são todos extremamente geniais e, com toda a genialidade da qual o homem é capaz, busca-se sinceramente um ponto de unidade e respostas para os problemas fundamentais. No Meeting, quem organiza o evento já encontrou a resposta, e é esta resposta que guia toda a construção do evento.

Como o Fórum e seus participantes veem as ONG’s e o Terceiro Setor?
Gisela:
Acho que para o Fórum Econômico Mundial este é um ponto de respiro e de novidade. Olha-se para os empreendedores sociais como um ponto de esperança, o local do qual poderão surgir soluções interessantes, criativas, baratas, integrais, para problemas muito difíceis. A organização vê isso, e tem trabalhado para que cada vez mais participantes do Fórum vejam o mesmo!

O que mais chamou sua atenção no encontro com os empreendedores sociais dos diferentes países presentes no Fórum?
Gisela:
A riqueza, diversidade e genialidade das experiências que muitos traziam. Encontrei empreendedores sociais do mundo todo oferecendo microcrédito para mulheres muçulmanas, ou cuidando da saúde mental de pobres na África, na Índia e na China, ou ajudando migrantes na Índia a encontrar trabalho, ou fortalecendo a educação de crianças extremamente pobres no mundo inteiro, ou levando tecnologia para esses mesmos lugares. É uma experiência de sentir-se grande (por encher a alma com o fato de que tantas pessoas estejam fazendo tantas coisas bonitas!) e pequeno (por ver quão pequeno e insuficiente é tudo o que fazemos) ao mesmo tempo. Mas a dor desta pequenez é o que me salva, pois me faz olhar, mais uma vez, para Aquele que é Quem realmente pode e faz algo! E, cheia de gratidão por Sua Companhia concreta em minha vida, posso continuar a enfrentar os desafios quotidianos!

 
 

Credits / © Sociedade Litterae Communionis Av. Nª Sra de Copacabana 420, Sbl 208, Copacabana, Rio de Janeiro - RJ
© Fraternità di Comunione e Liberazione para os textos de Luigi Giussani e Julián Carrón

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