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Passos N.97, Setembro 2008

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Passos na Mídia

pela redação

Morre o escritor Alexander Soljenitsin
Folha de S. Paulo
O escritor soviético Alexander Soljenitsin, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1970, morreu no final da noite de 3 de agosto aos 89 anos, em Moscou, vítima de uma parada cardíaca. Encarcerado por mais de dez nos campos de prisioneiros políticos da extinta União Soviética – os gulags –, ele relatou em seus livros o horror que vivenciou, tornando-se o mais famoso dissidente do regime comunista.
Nascido em 11 de dezembro de 1918, Soljenitsin estudou física e matemática na Universidade Rostov e se tornou oficial do Exército em 1941, após a invasão nazista. Depois de criticar a forma como o ditador Josef Stálin (1922-1953) conduziu a guerra, foi enviado aos campos de trabalho forçado. Em 1962, durante o degelo pós-stalinismo, publicou Um dia na vida de Ivan Denisovich, romance em que descreve a vida nesses campos. Mas logo passou a ser alvo da censura e sua expulsão do país foi consumada em 1974, depois que sua obra mais famosa,
O Arquipélago Gulag, monumental radiografia das prisões stalinistas, foi editada em Paris.
Após se radicar em Vermont, nos EUA, tornou-se um ícone da resistência ao comunismo. Anistiado pelo último presidente soviético, Mikhail Gorbatchov (1986-1991), Soljenitsin só voltou à Rússia em 1994, após o fim do comunismo. Recebeu tratamento de herói. Em 1998, o presidente Boris Ieltsin concedeu a Soljenitsin a Ordem de Santo André, um dos maiores prêmios culturais do país. Crítico das reformas liberais promovidas por Ieltsin, ele recusou, argumentando não poder aceitar “essa honra”, pois os russos “morrem de fome”. Em 2007, foi homenageado pelo presidente Vladimir Putin com a entrega de uma das mais importantes honrarias do país, a medalha do Estado. Putin era coronel do KGB, a polícia secreta, quando o escritor foi exilado, mas qualificou Soljenitsin de “historiador maior”, “o primeiro a ter relatado uma das grandes tragédias soviéticas”. Em seu governo, ele passou a valorizar a visão que Soljenitsin tinha da Rússia, como um bastão do cristianismo ortodoxo com cultura e destino únicos.
(Da redação, Mundo, 04.ago.2008)

Reforma ortográfica
Veja on-line
Com data marcada para entrar em vigor em 2009, a reforma ortográfica pretende fazer com que pouco mais de 210 milhões de pessoas em oito países que falam o português tenham a escrita unificada, conservando as variadas pronúncias. A proposta foi apresentada em 1990, mas era necessário que pelo três países ratificassem os termos da proposta, o que ocorreu somente em 2006. O Congresso brasileiro aprovou as mudanças em 1995.
A principal causa da demora é a relutância de alguns países, como Portugal, em ratificar o acordo. Até julho de 2004, era preciso que todos os países de Língua Portuguesa ratificassem as novas normas. Um acordo feito nessa data estabeleceu que bastaria a ratificação por parte de três países. Em 1995, o Brasil efetivou sua ratificação, seguido de Cabo Verde, em fevereiro de 2006, e São Tomé e Príncipe, em dezembro. Portugal ainda precisa adaptar sua legislação às novas regras. Enquanto as mudanças afetarão 0,45% das palavras brasileiras, Portugal sofrerá alterações em 1,6% de seu vocabulário. Os portugueses deixarão, por exemplo, de escrever húmido e escreverão úmido, como os brasileiros.
A ortografia-padrão facilitará o intercâmbio cultural entre os países que falam português. Livros, inclusive os científicos, e materiais didáticos poderão circular livremente entre os países, sem necessidade de revisão, como já acontece em países que falam espanhol. Além disso, haverá padronização do ensino de português ao redor do mundo.
(Educação, 14.ago.2008)

O maior desafio do futuro presidente
O Estado de S. Paulo
Entre 1870 e 1950, o nível de educação do americano médio cresceu 0,8 ao ano por década. Em 1890, o adulto médio havia concluído cerca de oito anos de escolaridade. Em 1900, o americano médio havia cursado 8,8 anos. Em 1910, eram 9,6 anos. Em 1960, quase 14 anos.
Os níveis de educação subiam em todo o mundo industrializado, mas os Estados Unidos tinham uma vantagem de 35 anos em relação à maior parte da Europa. EM 1950, nenhum país europeu tinha 30% de seus adolescentes matriculados em escolas de tempo integral. Nos EUA, 70% dos adolescentes frequentavam a escola.
A posição privilegiada dos Estados Unidos impulsionou a criatividade e o crescimento. Mas essa era feliz acabou por volta de 1970, quando o progresso dos EUA na educação foi freando até arrastar-se penosamente. Entre 1975 e 1990 as conquistas educacionais estagnaram.
No estudo School, Skills e Synapses (“Escola, competência e sinapse”), James Heckman, da Universidade de Chicago, investiga as causas desse declínio. Ele argumenta que não se trata de uma queda na qualidade das escolas. Tampouco de escassez de verbas ou alta no custo de cursos preparatórios para universidades. Ao contrário, Heckman dirige sua atenção para o ambiente familiar, que se deteriorou nos últimos 40 anos.
Ele destaca que os grandes hiatos nas conquistas educacionais já aparecem aos 5 anos de idade. Algumas crianças vivem em uma atmosfera que promove o desenvolvimento do capital humano, mas é cada vez menor o número das que usufruem dessa atmosfera. Heckman ressalta traços imprescindíveis que começam e se desenvolvem a partir destes primeiros anos: níveis de motivação, estabilidade emocional, autocontrole e sociabilidade.
Não é a globalização ou a imigração ou os computadores em si que ampliam a desigualdade. Melhorar a educação é mais promissor do que tentar reorganizar a economia global.
(David Brooks, Internacional, 03.ago.2008)

 
 

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